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Agricultura

Soja: estratégias para aumentar a produtividade

Descubra aqui como aumentar a produtividade da sua plantação de soja!

Renan Umburanas - ESALQ / USP

A produtividade média brasileira na última safra foi 3,4 ton por hectare (57 sacos por hectare), e de certa forma apresentou um modesto incremento nos últimos 10 anos (Figura 1).

Pode parecer exagero, mas existe potencial biológico para dobrar essa produtividade. Em concursos de produtividade, realizados pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) têm sido obtidos produtividades acima de 6 ton por hectare (100 sacas por hectare) em diversos ambientes de produção de norte a sul do Brasil. Se esses produtores estão produzindo patamares maiores de produtividade, você pode aumentar a sua produtividade de soja também!

Figura 1. Produtividade média de soja no Brasil ao longo das últimas safras (adaptado pelo autor de Conab, 2018).

Portanto sabemos que a produtividade potencial vai além da produtividade real que tem sido obtida. O segredo é identificar como produzir consistentemente esses níveis de produtividade elevadas, e os principais aliados para isso são os resultados de pesquisa obtidas nas Universidades e instituições públicas, bem como empresas privadas.

 

FATOR NÃO CONTROLADO: CLIMA

 

Na busca por altas produtividades, a maioria dos fatores podem ser manejados pelo produtor, entretanto, o mais importante e decisivo foge do controle do produtor: o clima. Temperaturas elevadas aumentam a demanda evaporativa da atmosfera, e dessa as plantas irão demandar maior quantidade de água.

Na maioria das regiões produtoras o volume de chuvas normalmente atende ou até supera as necessidades hídricas da cultura. Entretanto, em alguns anos, a ocorrência de estiagem em momentos chave do desenvolvimento da cultura podem comprometer o potencial de produtividade. Na cultura da soja os dois momentos críticos a falta de água são a formação e fixação de vagens, e posteriormente, e ainda mais crítico, o enchimento de grãos (Figura 2). Como podemos ver, nesses momentos a planta atinge o auge da demanda de evapotranspiração, e o estresse compromete o desenvolvimento dos órgãos reprodutivos. A produtividade da soja é definida após o florescimento, diferente do milho. Um começo não ideal, durante o crescimento vegetativo, não vai “condenar” a produtividade como aconteceria numa plantação de milho.

O manejo da cultura deve ser realizado de modo a mitigar os efeitos negativos causados pelo clima, e abaixo estão elencados alguns pontos.

Figura 2. Evapotranspiração (ET) diária da soja de acordo com o estádio de desenvolvimento. Adaptado por Embrapa de Berlato et al. (1986).

FATOR CONTROLADO: SANIDADE DA PLANTA

 

Outro ponto importante é a sanidade da planta. Manter a planta sadia durante todo o ciclo não é uma tarefa fácil, porém é necessário deixar a planta livre de condições de estresse, como exemplo incidência de pragas e doenças. Várias medidas devem ser tomadas.

Para aumentar as chances de obter altas produtividades, segue uma lista de dicas:

 

Tratamento de sementes: O uso de tratamento de semente protege o crescimento inicial da planta de estresses como os causados por doenças e insetos. O tratamento de sementes reduz o dano de doenças, forma estande de plantas mais uniforme, aumenta a produtividade real e reduz a necessidade de replantio. O tratamento de sementes pode proteger a planta em desenvolvimento do ataque de algumas pragas e doenças por um período de até 30 dias após a semeadura.

 

Distribuição uniforme de plantas: O espaçamento entrelinhas mais utilizado é o de 0,45 cm, enquanto a distribuição de plantas na linha depende do cultivar, mas normalmente oscila entre 200 a 350 mil plantas por ha (9 a 16 plantas por metro “linear”). Importante: sempre siga a recomendação do obtentor do cultivar utilizado, regiões de altitude podem ter problema de estiolamento, o que pode requerer moderação na população utilizada também. Em caso de semeaduras tardias, o aumento da população em 10-15% pode aumentar a produtividade, porque isso compensaria o menor crescimento vegetativo da semeadura tardia e aumentaria a interceptação de luz, porém isso depende também do cultivar utilizado apresentar resistência ao acamamento. Em todo caso consulte a opinião de um engenheiro agrônomo.

 

Escolher o cultivar correto: A escolha do cultivar irá determinar o potencial de produtividade, pois isso está relacionado a atributos agronômicos como: resistência a pragas, doenças e nematoides que são mais particulares a região de cultivo, bem como a duração do ciclo. Uma cultivar mal posicionada pode aumentar a incidência de doenças, como exemplo cancro da haste, pústula bacteriana, mancha olho de rã e podridão radicular de Phytophthora. Por isso é importante conhecer o histórico de doenças na área e evitar cultivares que sejam suscetíveis as doenças que já ocorreram. O posicionamento refere-se à recomendação do obtentor quanto a densidade de plantas utilizada, ambiente de produção bem como a época de semeadura adequada.

 

Época de semeadura: Produtor, esteja sempre atento ao calendário de recomendação de semeadura. A soja deve ser semeada de modo que ela floresça e o período de enchimento das sementes de soja coincida com o máximo fotoperíodo (duração do dia) possível. Regulagem acurada da semeadora e utilização de sementes certificadas de boa qualidade são essenciais para obter um bom estande de plantas. Semeaduras tardias reduzirão o ciclo da planta e consequentemente seu crescimento e potencial de produtividade. Semeaduras antecipadas podem alongar o crescimento vegetativo e o ciclo total da planta e não trazer ganhos de produtividade.

 

Proteger o potencial de produção de vagens: apesar do tamanho da semente ser importante, é o aumento do número de sementes por área que aumenta a produtividade. Para isso é necessário aumentar o número de nós e o número de vagens por nó. O terço superior da planta absorve três quartos da luz, é essencial proteger as folhas todo o tempo para o enchimento de grãos com monitoramento e proteção foliar. Dessa forma, o controle de pragas e doenças pela combinação de fungicidas e inseticidas é necessário para manter a proteção da área foliar crítica da soja, o que maximiza a interceptação de luz e o enchimento dos grãos.

 

pH do solo: evite a acidificação do solo. A acidez é prejudicial as bactérias fixadoras de nitrogênio, também reduz a disponibilidade e, consequentemente, a assimilação de nutrientes pela planta. Diferente da plantação do milho, a plantação de soja tem uma raiz principal concentrada numa área menor, fazendo as raízes liberarem hidrogênio, o que cria uma área acidificada na rizosfera. O pH (em água) adequado à cultura da soja é entre 5,5 – 6,5. Manter o pH do solo adequado resulta em produtividade mais consistente.

 

Fertilidade do solo: a adubação sempre deve ter como base uma análise completa de solo. Os macros e micronutrientes necessários devem ser recomendados com base numa avaliação criteriosa realizada por um Engenheiro Agrônomo. A semente de soja é sensível a salinidade do fertilizante, portanto evite aplicar na linha de semeadura, mas sim ao lado. Adubação foliar pode ser necessária em casos específicos, como exemplo se houver sintomas de deficiência em micronutrientes como manganês e boro.

 

Manejo de plantas daninhas: é importante começar a lavoura com o campo livre de plantas daninhas. Controle as plantas daninhas antes delas atingirem 10 cm e minimize a pressão durante os 30 primeiros dias após a semeadura para garantir o fechamento das entrelinhas “no limpo”. Pode ser utilizado herbicidas pré-emergente com residual e a aplicação de um pós emergente antes do fechamento das entrelinhas da cultura, sempre de acordo com a orientação de um Engenheiro Agrônomo. Sempre que possível alternar modos de ação do herbicida para evitar seleção de plantas resistentes.

 

Rotação de culturas: deve ser considerada pois minimiza a pressão por pragas e doenças. A rotação de culturas também contribui para alterar a dinâmica de plantas daninhas presentes na área, em virtude da utilização de herbicidas com diferentes modos de ação. A rotação de culturas com plantas de sistema radicular “agressivo”, como exemplo a braquiária, contribui para formação de bioporos, que podem inclusive romper camadas compactadas e contribuir para estabelecimento de fungos micorrízicos, bem como diversificar a microbiota do solo. Consequentemente as plantas de soja serão beneficiadas, pois conseguirão atingir camadas mais profundas do solo, ter maior acesso a água e maior acesso a nutrientes.

 

Inocular com Bradyrhizobium: como no ambiente de produção brasileiro a soja é altamente dependente da fixação biológica de nitrogênio, a inoculação é indispensável. A reinoculação de todas as safras pode aumentar a produtividade.

 

Monitoramento frequente da área: é essencial para verificar a incidência de pragas e doenças e tomar decisões de manejo rápidas. Fazer histórico da área ajuda no preparo da próxima plantação de soja.


E por último, não deixe produtividade no campo. Colheita sem cuidado pode jogar fora a alta produtividade que você tanto cuidou. Ajuste sua colhedora e faça revisão antes da colheita. 

Fonte Texto:

Conab. Série histórica.

Fonte Imagem:

Fonte: Aline Richart

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