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Brasil
Agricultura

Perspectivas de que as cotações das comodities permaneçam firmes incentivam a expansão da área de plantio

As previsões do setor privado para a nova safra de soja apontam para uma safra de mais de 140 milhões de toneladas, bem mais do que a estimativa do ciclo 2020/2021

Preços em bons patamares e demanda aquecida vêm garantindo uma expansão crescente da produção de soja no Brasil. Os analistas concordam que no ciclo 2021/2022 não será diferente. As previsões do setor privado apontam para uma safra de mais de 140 milhões de toneladas, bem mais do que a estimativa do ciclo 2020/2021, que deve fechar em 137 milhões de toneladas.

 

No Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional da oleaginosa, a estimativa é de que nos últimos 4 anos tenha havido um incremento de 1 milhão de hectares na área plantada. Para o ciclo 2021/2022, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta o cultivo de 10,8 milhões de hectares, um avanço de 3,19% em relação a safra anterior. O incremento deve ocorrer principalmente pela opção por cultivar soja nas áreas mais periféricas de Mato Grosso, regiões de pastagens degradadas.

 

Até o início de maio, o produtor contava com uma combinação de dólar acima de R$5,00 e preços recordes na Bolsa de Chicago, o que reforçou o planejamento para aumentar a área plantada na próxima safra. Já em junho o câmbio mudou a direção e, em alguns momentos, foi acompanhado de preços internacionais mais baixos, o que acabou trazendo uma certa apreensão. Mesmo assim, a expectativa é de que o aumento de área seja mantido.

 

O vice-presidente da Aprosoja-MT, entidade que representa os produtores de soja e milho em Mato Grosso, explica:

O produtor que já adquiriu os insumos, por meio da comercialização antecipada, com as operações de barter, conseguiu aproveitar o momento em que a relação de troca estava mais favorável, por isso nestes casos é muito difícil voltar atrás na decisão de aumentar a área cultivada
Lucas Beber
vice-presidente da Aprosoja-MT

O risco de mudança nesta intenção de plantio estaria somente na fatia que ficou esperando por preços ainda mais altos e agora está se deparando com patamares mais baixos. Ainda assim, os especialistas lembram que os valores ainda seguem remuneradores. Podem estar mais baixos do que estiveram em tempos recentes, mas historicamente as cotações da soja são muito favoráveis.

 

Para o analista Vlamir Brandalizze, este é o momento do chamado mercado climático e o que mais deve mexer com os preços são os números sobre o desenvolvimento da safra de soja nos Estados Unidos. Segundo ele, mesmo que o clima por lá fique favorável, dificilmente os preços terão quedas muito acentuadas, além do que já foi visto ao longo do mês de junho.

 

De outro lado está a demanda chinesa, que deve seguir crescendo. Houve um uma certa desaceleração nas compras, mas os analistas afirmam que foi algo sazonal em função da peste suína africana e do abate de matrizes. A partir de agora, a expectativa é de um crescimento médio anual entre 3% e 4% nas importações chinesas de soja.

 

Em análise divulgada recentemente, o Itaú BBA também projetou preços firmes para a soja na safra 2021/2022. Os analistas do banco ponderam que apesar do aumento na produção mundial, projetado em 5%, os estoques continuam baixos sob uma perspectiva histórica, o que garante esta sustentação.

 

Consultores de mercado afirmam que o aumento na área de soja só não será maior porque a indústria de insumos tem dificuldades em acompanhar o ritmo de expansão. A demanda crescente por fertilizantes é um exemplo.

 

No acumulado do ano, as cotações subiram entre 70% e 95% em dólar, considerando o fosfato monoamônico (MAP), a ureia e o cloreto de potássio (KCl), conforme dados divulgados pelo Rabobank.

 

Neste cenário, embora negue problemas de falta de produto, a indústria de fertilizantes admite enfrentar alguns desafios logísticos, como afirmou recentemente em entrevista do Rally da Safra, o diretor da Phosagro Americas, Newton Carvalho. O Brasil este ano está reduzindo as exportações de milho e muitos dos caminhões que levavam o grão para os portos eram os mesmos que traziam o fertilizante para o interior do País. 

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Imagem: Lavoura de soja

Custos de produção

 

A preocupação nesta safra é com o aumento expressivo dos custos de produção. A demanda crescente pelos principais insumos contribuiu para alta significativa de produtos como fertilizantes, defensivos e maquinários.

 

"Uma colheitadeira que custava R$1,9 milhão, agora é oferecida no mercado por R$3,3 milhões”, conta Beber. Ele pondera que, ao mesmo tempo, o Plano Safra, anunciado pelo Ministério da Agricultura, mostrou um aumento de apenas 6% no volume de recursos destinado ao crédito rural, o que vai diminuir a capacidade de investimento dos produtores a partir de agora, que vinham reduzindo o uso de recursos próprios e utilizando mais as linhas oferecidas por instituições financeiras. Além disso, os juros estão mais altos.

 

No caso de Mato Grosso, a mudança no câmbio pode ter impacto maior porque o estado ainda enfrenta dificuldades logísticas, com distâncias longas e um maior custo com os combustíveis, que ficaram mais caros no último ano.

Clima

 

A última safra de soja foi afetada pelo atraso nas chuvas, que levou a uma semeadura tardia, em diversas regiões. Desta vez, produtores estão mais otimistas, já que os meteorologistas até agora indicam que o problema não deve se repetir.

Não vai atrasar tanto, mas também não haverá uma mudança do 8 para 80, algumas dificuldades são esperadas
Celso Oliveira
Somar Meteorologia

A previsão é de que a chuva este ano até possa chegar em setembro. Porém, a expectativa é de que ao longo de outubro haja muita irregularidade nas precipitações, com chance de longos períodos sem chuva, o que também pode prejudicar a safra. 

Quem plantar nas primeiras chuvas para acelerar o cultivo de variedades precoces, corre o risco de precisar fazer o replantio
Celso Oliveira
Somar Meteorologia

Tudo indica que o ritmo de instalação da cultura em outubro fique abaixo do desejável, já que haverá maior espaçamento entre os períodos de chuva.

 

O meteorologista explica que neste momento estamos na neutralidade, sem nenhuma influência dos fenômenos relacionados a temperatura do oceano. Já no verão, é prevista a ocorrência de um La Niña – fenômeno decorrente do resfriamento das águas do Oceano Pacífico – de intensidade fraca.  No ano passado, o fenômeno também esteve presente, mas um pouco mais forte, o que acabou causando o excesso de chuvas durante a colheita da soja 2020/2021 em Mato Grosso, por exemplo.

 

Com a expectativa de La Niña mais uma vez, poderá haver excesso de chuvas na colheita e também estiagens regionalizadas no Paraná e Mato Grosso do Sul. "Mas ao que parece, será uma estiagem menos severa do que tivemos este ano", diz o especialista.

 

No Rio Grande do Sul, o maior risco climático deve ocorrer para o milho, que começa a ser plantado antes da soja, já que a estiagem regionalizada deve ocorrer em dezembro. No caso da oleaginosa, o ponto de atenção é a falta de chuvas que pode ocorrer em fevereiro de 2022, um período importante para a cultura.

 

A boa notícia é que, em períodos de La Niña, a região conhecida como Matopiba, que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia, costuma ser beneficiada. A previsão climática é favorável a cultura da soja na região, que deve registrar boas produtividades, na opinião do meteorologista. 

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