Brasil
Agricultura

Como identificar o bicho-mineiro no café? 

O bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) é uma das principais ameaças às lavouras de café em todo o mundo. Também conhecido como bicho minador, ataca cafezais de todas as regiões do Brasil, em especial as localizadas em áreas mais quentes e com longos períodos de estiagem. Mas o bicho-mineiro tem se adaptado às demais regiões de café, ocorrendo incidência em áreas antes não afetadas.

 

Sendo essas as áreas com os maiores índices de produção dos grãos no país, é de extrema importância saber identificar a presença do inseto nas lavouras de café. 

Além de o bicho-mineiro se desenvolver rapidamente, seus danos podem comprometer seriamente a produtividade.  

Embora já exista variedade de café resistente à praga, ainda não há plantios comerciais significativos.

 

Saber identificar o bicho-mineiro no café facilita a aplicação das técnicas corretas de controle do inseto e, por consequência, garante que a lavoura não sofra perdas drásticas. 

Como o bicho-mineiro ataca os cafezais

O contato do inseto com o café começa nas folhas superiores do cafeeiro, quando a fêmea adulta deposita os seus ovos — em média, cada mariposa coloca sete ovos sobre uma mesma folha. 

Depois de alguns dias, os ovos eclodem e tornam-se lagartas. É nessa fase que a infestação do inseto começa, de fato, no cafezal, pois as lagartas se alimentam exclusivamente das folhas do café. Nesse momento já é possível identificar a queda das folhas — principal sinal de infestação na lavoura. 

 

As lagartas começam a comer as folhas da parte superior para o canto interno, formando assim uma espécie de mina para se abrigar. Daí o nome bicho-mineiro do cafeeiro (BMC).

Essas  lesões têm uma coloração marrom. Elas se dilaceram ao apertar. Segundo a Embrapa, as minas causam necroses nas folhas, e então ocorre a desfolha, o que contribui para uma redução na taxa fotossintética das plantas e, consequentemente, a queda de produtividade. 

Importante: as mariposas do bicho-mineiro têm hábitos noturnos. Por isso, durante o dia se escondem debaixo de folhagens.  

 

Saiba mais: Prevenção é o melhor ataque contra o estrago que bicho-mineiro pode fazer em sua cultura de café


 

Características físicas do bicho-mineiro 
 

  • Ovos com formato oval e côncavo e uma cor esbranquiçada translúcida, que pode evoluir para um tom amarelo-esverdeado; 

  • Lagartas com uma coloração esbranquiçada;

  • Fêmeas adultas com cor branco-prateada, manchas circulares, olhos escuros, antenas longas, pernas com cerdas e asas enrugadas.


Saiba mais: Cuidados pré e pós-colheita para minimizar ataque de patógenos na lavoura do café?

Ciclo de vida do bicho-mineiro 

Antes de saber como se comporta o inseto nos cafezais, é preciso entender que o bicho-mineiro tem um ciclo de vida que inclui as etapas de ovo, larva, pupa ou crisálida e inseto adulto. 

Segundo a Embrapa, a fase do ovo dura, em média, cinco dias. Já a fase da lagarta é de cerca de 12 dias, enquanto a de pupa dura cinco dias. Isso leva a um ciclo de até 22 dias. 

 

Se não controlado com os produtos ideais, esse ciclo pode se repetir até 12 vezes durante uma mesma safra. Afinal, cada fêmea do inseto é capaz de depositar até 50 ovos por vida. E aí, nesse caso, as larvas do bicho-mineiro podem provocar a morte da planta de café. 

Caso a infestação do bicho-mineiro seja altamente numerosa, o desfolhamento pode ser ainda maior em outubro, que é época de florada. Em caso de alta intensidade na infestação, pode haver um comprometimento da saúde da planta, provocando uma redução na produtividade também nas safras seguintes. 

Leia mais:

Conheça as soluções da BASF para este cultivo: