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Brasil
Agricultura

Período residual de inseticidas e épocas de controle de Sphenophorus levis

O período residual de inseticidas é importante para o manejo do bicudo da cana-de-açúcar?

Lucas Barros - Engenheiro Agrônomo.

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Como mencionado em post anteriorSphenophorus levis é praga primária na cultura da cana-de-açúcar e pode causar perdas de até 30 ton/ha/ano.

Para seu controle, associação de estratégias de MIP são essenciais e recomendáveis. Como exemplo temos a destruição mecânica de soqueiras; a eliminação de plantas hospedeiras; o uso de mudas sadias; uso de iscas tóxicas; a pulverização de inseticidas no plantio e nas soqueiras, entre outras.

Com relação a essa última alternativa – controle químico, esta tem sido a mais utilizada. No entanto, alguns aspectos a respeito da praga (período de ocorrência e época de controle) e dos inseticidas (efeito residual) devem ser conhecidos para maximizar os resultados, e é neste assunto no qual iremos abordar neste post.

Antes de falarmos a respeito, inicialmente conheceremos quais são os principais inseticidas utilizados. Vamos lá!!

Conforme o portal Agrofit do MAPA, os inseticidas comercializados tem os seguintes ingredientes ativos: fipronil, clorantraniliprole, lambda-cialotrina, alfa-cipermetrina, carbosulfano, tiametoxam, e o nematoide entomopatogênico Steinernema puertoricense.

  • Eficácia e efeito residual de inseticidas à Sphenophorus levis

Trabalhos na literatura mostraram que o inseticida fipronil apresentou 83 % de eficiência no controle de larvas, pupas e adultos de Sphenophorus levis aos 30 dias após aplicado (DAA), e 50 e 53% de eficiência aos 60 e 90 DAA (Custódio et al., 2017).

Nesse mesmo trabalho, os autores também verificaram que o inseticida microbiológico a base de Beauveria bassiana apresentou eficiência de 38, 41 e 47% aos 30, 60 e 90 DAA, respectivamente.

Já Metarhizium asisopliae, outros inseticidas microbiológicos, mostrou eficiência de 29, 18 e 35 %, respectivamente, nos mesmos períodos. Em nenhum desses tratamentos foi verificado diferença quanto a presença de danos de Sphenophorus levis nos rizomas.

É importante salientarmos que o efeito residual dos produtos pode variar conforme o momento de aplicação na cultura - em sulco de plantio (cana planta) ou em touceiras (cana soca).

Nessas condições, a eficácia dos inseticidas pode variar conforme a intensidade de exposição aos fatores ambientais (fotodegradação, pluviosidade, umidade); aos aspectos e/ou propriedades físicas e químicas de cada molécula inseticidas, como: pressão de vapor (potencial/capacidade em perde-la para o meio), peso molecular e indicador LogKow (afinidade/capacidade do produto em adsorver/penetrar ao solo/inseto), entre outros aspectos.

Com base nessas informações, mesmo que os produtos atendam a todos esses critérios desejáveis, nada adianta se não conhecermos o período de ocorrência da praga e associarmos essa informação a fase de desenvolvimento da cultura para inferir sobre a melhor forma de colocar o produto no alvo biológico, maximizando as chances deste ser eficaz e obter sucesso no controle.

  • Período de ocorrência de Sphenophorus levis

Estudos nesse sentido mostraram que há a ocorrência de duas gerações anuais da Sphenophorus levis em épocas bem definidas para larvas e adultos.

Os adultos apresentam dois picos populacionais no ano que são compreendidos entre os meses de fevereiro a março (fim do período chuvoso), e de outubro a novembro (início do período chuvoso). Já as larvas ocorrem em maior quantidade nos meses de maio a agosto (período seco), e nos meses de novembro a dezembro (período chuvoso) em menor proporção.

Durante o plantio da cana (maio a outubro), que compreende ao período com a maior abundância de larvas, aplica-se o inseticida no solo (sulco de plantio) juntamente com os toletes.

Já aplicações em cana soca que ocorrem em períodos contínuos durante o ano, em função principalmente do ciclo de cada material de cana e/ou janela de colheita, estas poderão coincidir com a ocorrência tanto de larvas quanto adultos.

No momento de cana soca,aplica-se o produto diretamente na soqueira com ou sem desenleirador associado a ponta de pulverização está acoplada ao disco corta palha. Desta maneira o produto ficará mais próximo do seu alvo e maiores as chances de ser eficiente.

Além disso, não podemos nos esquecer que o controle do bicudo da cana-de-açúcar exige esforço amostral e conhecimento a respeito da bioecologia e comportamento da praga. Estas, quando associado a outras informações a respeito das características dos inseticidas e ferramentas do MIP, potencializam as chances de controle.

Desta maneira, conhecer o período residual dos inseticidas utilizados e o momento correto de seu emprego, correlacionando a fase de desenvolvimento da praga maximizam as chances de se obter sucesso no controle. Nenhuma estratégia de controle utilizada isoladamente é sustentável.

Faça o MIP na cultura da cana-de-açúcar. Maiores informações nos arquivos anexados abaixo e no post Sphenophrus levis: danos, monitoramento e controle.

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