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Brasil
Agricultura

Mancha-alvo e os impactos na safra 19/20 da soja

A mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola, é cada vez mais frequente nas lavouras de soja. Os primeiros sintomas são pequenas manchas circulares com um ponto escurecido no centro - que parece um “alvo”

Giovani Assoni - Engenheiro Agrônomo

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As condições favoráveis para o desenvolvimento da mancha-alvo na lavoura da soja geralmente ocorrem no Brasil, com início da fase reprodutiva ou no fechamento das entrelinhas até a colheita (Teramoto et al., 2013). Contudo, as condições ambientais e presença de inóculo na área fornecem diferentes aspectos da doença nas regiões do Brasil, e por isso sua ocorrência em alguns locais é mais problemática do que em outros.

Embora a safra esteja sendo finalizada em algumas regiões, já temos alguns relatos sobre a ocorrência de doenças nas lavouras do Brasil. Nas regiões produtoras de soja em SP e PR, a mancha-alvo aparece somente em algumas safras e é uma doença secundária, sem grandes impactos na produtividade da soja

Na safra 19/20, a mancha-alvo não foi problema nas lavouras de SP, PR, SC e RS. Já no MT, MG e demais regiões produtoras do Centro/Norte a mancha-alvo é uma das principais doenças que precisam ser manejadas, e por isso existem programas de fungicidas específicos para seu controle, pois seu manejo eficiente na lavoura incrementa a produtividade de grãos. Nesta safra, nas áreas onde a chuva não foi problema, a doença se desenvolveu bem e seu controle foi primordial para manter a produtividade.

O fato de sua ocorrência ser mais frequente nos estados Centro/Norte do Brasil pode ser relacionado, além do clima, com a rotação de culturas com o algodoeiro, que também é fonte de inóculo para o fungo que sobrevive na palhada de uma safra para outra. Dessa forma, sucessão de culturas algodão-soja favorece no aparecimento da mancha-alvo e agrava sua severidade.

Períodos chuvosos, com molhamento foliar elevado e umidade relativa do ar são altamente favoráveis. Semeaduras adensadas também podem favorecer o microclima e a ocorrência da doença. Períodos secos desfavorecem o desenvolvimento da doença, e por isso a doença foi mais lenta, ou não ocorreu em locais com veranico na safra 19/20.

Um estudo amplo com 41 ensaios uniformes de fungicidas foi realizado no Brasil durante as safras 2012 a 2016 por diversos pesquisadores e centros de pesquisa (Edwards Molina et al., 2019), e os dados foram utilizados para estimar a relação entre rendimento e severidade da mancha alvo. Este estudo observou que as perdas potenciais de rendimento de soja devido à mancha-alvo variaram de 8% a 40,5%. Diante dos atuais resultados, é importante analisarmos quais condições favorecem a ocorrência de baixa ou alta severidade da mancha-alvo.

Um dos principais fatores que influenciam na ocorrência ou não da doença e o quanto isso vai impactar, por exemplo, é a cultivar escolhida. Já existe no mercado cultivares resistentes a esta doença; e algumas com níveis de resistência. Para a cultivar de soja BMX Potência RR, com 50% de severidade a perda de produtividade foi apenas 11%. No outro extremo, o rendimento de grãos na cultivar M9144 RR foi drasticamente afetado, com uma perda de 42% de rendimento quando ocorreu 50% de severidade da mancha-alvo (Edwards Molina et al., 2019).

Segundo Edwards Molina et al., (2019), baseado num rendimento de 3500 kg ha-1 podemos estimar redução de 168 kg ha-1 de grãos para cada incremento de 10% da severidade da mancha-alvo. Entretanto, se uma cultivar tolerante à mancha-alvo, como a BMX Potência RR fosse plantada, a redução de rendimento correspondente seria 77 kg ha-1. Contudo, se fosse utilizada uma cultivar menos tolerante como a M9144 a perda de rendimento seria de 294 kg ha-1. Dessa forma, verificamos que a escolha do cultivar em relação com o ambiente diz muito sobre a ocorrência de doença ou não.

A grande variabilidade das populações de C. cassiicola, cultivo contínuo de variedades suscetíveis em sistemas de plantio direto e uso de fungicidas como carbendazim para controle de doenças (Xavier et al., 2013) fornecem condições favoráveis para multiplicação contínua do fungo, acompanhada pela seleção de isolados mais agressivos.

Os fungicidas para soja mais eficientes para controlar a mancha-alvo na principal região brasileira de cultivo de soja foram a mistura de fluxapiroxade + piraclostrobina (Grupos químicos SDHI e QoI, respectivamente) e este mesma mistura com a adição do fungicida DMI epoxiconazol (Edwards Molina et al., 2018). Estes misturas proporcionaram até 75% de controle da doença, com aumento de 20% do rendimento em parcelas não tratadas.

Outro ponto bastante importante é o momento de intervenção, pois quanto mais tarde for realizado o controle da mancha-alvo, maiores serão os danos e menor a eficiência de controle (Figura 1). Dessa forma, recomenda-se a entrada de fungicidas específicos + protetores antes do fechamento da entre linha da cultura (Tormen et al., 2018).

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