Brasil
Agricultura

Mancha-alvo, um problema que se agrava

Mancha-alvo, doença anteriormente inexpressiva na cultura da soja, tem ganhado importância ano a ano, aumentando as perdas na produção. Saiba mais.

Giovani Assoni - ESALQ-USP

A mancha-alvo é uma doença causada pelo fungo Corynespora cassicola e atualmente encontra-se em todas as regiões produtoras do país.

Diagnosticada no Brasil pela primeira vez no ano de 1976, a doença passou vários anos sem causar sérios problemas aos sojicultores. Porém, nas últimas safras a mancha-alvo tem causado maiores danos, aumentando a preocupação do produtor em relação a essa doença.

Os sintomas da mancha alvo baseiam-se em manchas foliares como pontuações pardas, que evoluem para manchas circulares de coloração castanha, com centro escuro, anéis concêntricos e halo amarelado. Além de reduzir a fotossíntese das plantas, esta doença ocasiona maturação prematura.

Essa doença pode causar, em média, redução na produtividade em torno de 5 a 20%.

Vários motivos contribuíram para que uma doença até então secundária, ganhasse destaque nas safras atuais.

Um dos principais motivos está relacionado com o aumento da suscetibilidade das cultivares mais modernas ao fungo Corynespora cassicola, uma vez que o foco do melhoramento genético no Brasil priorizou a obtenção de plantas com maior potencial produtivo, mais precoces e, no entanto, mais tolerantes a outros problemas.

A adoção do plantio direto é outra questão que deve ser levada em consideração. Grande parte das lavouras de soja tem adotado a essa prática ao longo das últimas décadas, a qual proporciona diversas vantagens ao sistema de produção. Porém, caso a rotação de culturas seja mal executada, os problemas com a mancha alvo podem se agravar, uma vez que o fungo C. cassicola hospeda mais de 50 famílias de plantas, além de sobreviver em restos de cultura, colonizando uma ampla gama de resíduos do solo.

Outra explicação para o aumento do protagonismo dessa doença nas lavouras brasileiras é a redução da eficiência do controle químico, devido a resistência adquirida pelos patógenos aos modos de ação dos fungicidas normalmente empregados. Muitos produtos recomendados para o controle da mancha alvo no passado tem se mostrado pouco eficientes no campo, e as opções de fungicidas realmente eficazes tornaram-se escassas, um exemplo disso são os benzimidazóis, antes recomendados, porém hoje apresentam baixo nível de controle.

Antigamente notada como doença de final de ciclo (DFC), hoje a mancha alvo aparece em estádios precoces, e dessa forma, seu monitoramento e controle devem ser realizados antecipadamente. Técnicas de controle recomendadas baseiam-se no uso de cultivares resistentes, tratamento de sementes, rotação de culturas com gramíneas e controle com fungicidas de parte aérea, como por exemplo, os recomendados pelo Ministério da Agricultura (AGROFIT – MAPA).

Dessa forma, diante dos inúmeros desafios enfrentados em nossas lavouras, torna-se necessário incluirmos a mancha alvo nas técnicas de manejo, uma vez que acima do limiar de dano pode ocasionar redução da produtividade da soja, reduzindo a lucratividade final.

Fonte Texto:

Mais Soja

GODOY, C. V. et al. Doenças da Soja. In: AMORIM, L. et al. (Ed.). Manual de Fitopatologia: Volume 2 – Doenças das Plantas Cultivadas. 5ª ed. Ouro Fino: Ceres, 2016. p. 657- 675.

Agrofit

Fonte Imagem:

Agrolink

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