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Agricultura

Entenda como é calculado o preço da commodity mais requisitada no exterior 

Worker holding soy beans after harvest

Fazendeiro com soja

Os preços da soja estão em alta no Brasil desde o ano passado. Tamanho crescimento se dá, principalmente, por dois motivos: o preço elevado do dólar e a elevada demanda pelo produto, tanto em nível nacional quanto mundial. 

 

De 2020 para 2021, o preço da saca de 60kg subiu de R$121,23 para R$170,44 — o que aponta para um aumento de 40,59% no valor. 

 

Esse índice é uma média padrão em todo país. Os dados são do indicador de soja ESALQ/BM&FBOVESPA — Paranaguá, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

 

Mas afinal, por que o valor da soja aumentou? Segundo Edmar W. Gervásio, analista do milho do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), as cotações estão em alta porque o produto é uma commodity e, assim, tem seu valor fixado a partir de cálculos baseados em projeções internacionais. Ou seja, o produtor não controla os preços do grão, apenas segue as métricas globais do mercado.

Entenda o cálculo

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço da saca do produto depende de sua oferta e demanda, tanto nacional quanto internacional; das projeções da Bolsa de Chicago (CBOT) —  a mais utilizada no agronegócio, principalmente como parâmetro para a soja —; dos estoques internacionais do produto e do consumo interno. 

 

O pregão da CBOT é o principal parâmetro para o cálculo do preço da saca de 60kg do grão. A bolsa concentra dados de estoques de todos os países produtores e traça uma estimativa do valor do produto no mercado.

 

A partir dessa projeção, cada país soma ainda o prêmio de exportação, ajuste de valores entre importador e exportador, que tem relação com o câmbio; a cotação do dólar; as despesas de exportação; os custos com o transporte, e, em alguns casos, os gastos com o armazenamento do produto.

 

Na prática, o produtor repassa o preço ao mercado após fazer a soma da cotação na Bolsa de Chicago (US$ / bushel) com o prêmio de exportação no porto de destino e descontar as despesas com exportação, transporte e armazenamento. 

 

Panorama do mercado da soja

 

De acordo com a Conab, as projeções para a safra 2021/2022 da soja são maiores neste ano em comparação com 2020. Isso porque, até 16 de outubro, o país registrou o plantio do grão em 23,7% do total da área para a safra e exportou 2,06 milhões de toneladas da oleaginosa. Esses índices são, pelo menos, 7% maiores do que em todo o mês de outubro do ano passado.

Ainda conforme a Conab, estima-se que a produção de soja, na safra 21/22, alcance 137,32 milhões de toneladas, sendo 50,78 milhões de toneladas para uso interno e 84,42 milhões de toneladas para exportação. O estoque final é estimado em 7,23 milhões de toneladas. 

Com relação à produção, para 2022, espera-se que sejam colhidos 140,75 milhões de toneladas do grão, o que representa um aumento de 2,5% em relação à safra 2020/21. 

 

Segundo um relatório emitido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Cepea, os produtores podem esperar por um aumento maior que 75% no faturamento do grão nesta safra, ocasionado pela alta de nos preços reais (61%) e pela produção anual esperada, que é 8,87% maior que a anterior.

 

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