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Agricultura

Como fazer o manejo da requeima do tomateiro

As condições climáticas são diferentes nas regiões produtoras do Brasil, o que exige bastante esforço para reaizar o manejo eficiente da requeima na lavoura de tomate

Silvane Isabel Brand - Engenheira Agrônoma

A requeima do tomateiro é causada pelo oomiceto Phytophthora infestans que afeta folhas, caules e frutos da lavoura do tomate. Os danos à cultura são elevados e promovem perdas consideráveis na produção, fazendo com que a plantação de tomate possa ser dizimada em poucos dias sob condições ambientais muito favoráveis.

Os sintomas da doença são lesões escuras no caule, no pecíolo e na ráquis. Nos frutos, as lesões são de cor marrom-pardo, com aspecto oleoso e consistência firme, podendo, quando atinge todo o fruto, promover a queda do mesmo. Em condições meteorológicas muito favoráveis, ou seja, elevada umidade e temperaturas adequadas para o desenvolvimento do fungo, ocorre a formação de micélio e frutificação do patógeno nos caules, nos pecíolos, nos frutos e na parte inferior das folhas.

Condições que favorecem a requeima do tomateiro

O fator mais importante que promove o início da requeima do tomateiro é um elevado número de horas com molhamento dos tecidos da planta, o que pode ser causado pela chuva, orvalho ou irrigação. A faixa de temperatura para o desenvolvimento do patógeno é bastante ampla, de 15 °C a 25 °C. Muito embora a doença se desenvolva em condições térmicas mais amenas, caso ocorra presença de longos períodos de molhamento, a doença se estabelece mesmo sob temperaturas mais elevadas, desde que as noites apresentem temperaturas mais baixas. 

Porém, em locais de clima ameno e com alta umidade, a epidemia é normalmente mais severa, propiciando que o patógeno complete seu ciclo de infecção entre quatro e cinco dias, sendo que a epidemia se torna mais agressiva após ciclos sucessivos, devido à maior fonte de inóculo na área.

Modelos de previsão para manejo da requeima na lavoura de tomate

Os modelos de previsão de doenças são uma boa alternativa para auxiliar no manejo da requeima do tomateiro, pois a tomada de decisão da pulverização ocorre de forma técnica e as mesmas são realizadas quando as condições são favoráveis ao desenvolvimento do patógeno, sendo o controle do patógeno mais assertivo.

O modelo Hyre é um dos que pode ser empregado como sistema de alerta da ocorrência da requeima do tomateiro, sendo este baseado na chuva e nas temperaturas máxima e mínima. O dia é considerado como favorável quando a temperatura está entre 7,2 a 25,5 °C e a chuva acumulada nos últimos 10 dias é superior a 30 mm. A doença aparece em média de  7 a 14 dias após a ocorrência de 10 dias consecutivos com estas condições climáticas favoráveis.

Já o modelo Wallin integra a temperatura média no período noturno (Tnot) e a duração do período de molhamento (DPM), estimado a partir do número de horas com a umidade relativa maior ou igual a 90% para indicar o valor de severidade da doença (VSD) a cada dia. Na Tabela 1 é apresentada a relação entre a Tnot, a DPM e o VSD. Nesse sistema, a recomendação do controle da doença se dá sempre que o valor acumulado de VSD nos últimos 7 dias estiver entre 18 e 20 VSD, sendo que o patógeno aparece de 7 a 14 dias após atingir este valor.

Tabela 1. Valor de severidade diária da doença (VSD) para a realização do controle da requeima do tomateiro, baseado na temperatura média noturna (Tnot) e na duração do período de molhamento foliar (DPM).

 

Um dos modelos mais utilizados para o manejo da requeima do tomateiro é o Blitecast, o qual integra os modelos de Hyre e Wallin. Na Tabela 2 são apresentados os códigos de mensagem para a recomendação de pulverização para o controle da requeima do tomateiro, sendo que o VSD acumulado nos últimos 7 dias é proveniente da tabela de Wallin (Tabela 1), enquanto que o número de dias com chuva, indica se há mais ou menos possibilidade de ocorrência da doença.

Tabela 2. Códigos de mensagem (-1, 0, 1 e 2) para recomendação de pulverização para o controle da requeima do tomateiro, baseado no número de dias com chuva e no valor de severidade diária acumulados nos últimos 7 dias.

Fonte: KRASE et al. (1975)

De acordo com os códigos de alerta, as recomendações são:  “-1” não se deve pulverizar; “0” indica estado de alerta; “1” indica condição favorável com a pulverização devendo ocorrer dentro de 7 dias; e “2” indica condição muito favorável com pulverização devendo ocorrer em até 5 dias

Condições climatológicas para as regiões brasileiras

Considerando a normal climatológica (1961 a 1990) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), as regiões brasileiras apresentam variação quanto à temperatura e à umidade, condições que favorecem as doenças em geral (Figura 1). 

Considerando-se as condições climáticas médias para a temperatura mínima, a mesma é mais favorável durante todo o ano nas regiões Norte e Nordeste, de janeiro a maio e de agosto a dezembro nas regiões Centro-Oeste e Sudeste e menos favorável na Sul. Já com relação à umidade do ar média noturna, há condições favoráveis durante o primeiro semestre do ano em todas as regiões brasileiras e a condição volta a ser favorável nos meses de novembro e dezembro nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste. Nas outras regiões, o segundo semestre do ano é menos favorável a doença, analisando condições climáticas médias.

Figura 1. Normal climatológica da temperatura mínima e umidade noturna em escala mensal para as regiões CO (Centro-Oeste), NE (Nordeste), N (Norte), SE (Sudeste) e S (Sul) do Brasil.

Fonte: INMET

Manejo da requeima na lavoura do tomate

O melhor controle da doença é obtido quando se integra diversas práticas de manejo, como cultural e químico. O controle cultural se dá com o uso de cultivares com algum tipo de resistência ou tolerância.

Também deve se atentar para que o cultivo seja evitado em área com histórico da doença, cultivada anteriormente com tomate ou batata ou outra solanácea. A rotação de cultura também se faz necessária para reduzir a fonte de inóculo, devendo-se optar por uma gramínea.

O uso de mudas e sementes sadias e de boa procedência também merece destaque para evitar a introdução de inóculo já no início do cultivo, bem como a introdução da doença em áreas livres da mesma.

Além disso, deve-se evitar solos mal drenados, face voltada para o sul que possui maior formação de orvalho, e locais onde ocorre acúmulo de neblina, como nas baixadas.

Quanto a escolha da data de semeadura, deve-se preferir as épocas mais quentes e menos chuvosas. Já com relação à irrigação, deve-se dar preferência pelo sistema de gotejo, pois este não promove o molhamento da planta, especialmente das folhas e dos frutos.

O patógeno também sobrevive nos restos culturas e é disseminado pelos ventos fortes e implementos agrícolas, devendo o produtor se atentar para a limpeza dos mesmos ao ir de uma área a outra. Além disso, a incorporação dos restos culturais acelera a decomposição e diminui a fonte de inóculo.

Os fungicidas para tomates aplicados podem ser de contato ou sistêmico, devendo sempre atentar para rotação dos princípios ativos e aplica-los somente quando as condições meteorológicas favorecem o desenvolvimento da doença no local.

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